uma história de As Fontes Encantadas de Portugal
As Rosas da Rainha Isabel
Na velha cidade de Coimbra vivia a boa Rainha Isabel, que gostava de levar pão às pessoas que tinham fome. Fazia-o em silêncio, porque não queria...
Nível de leitura
A mesma história, com palavras mais simples ou mais ricas.
As Fontes Encantadas de Portugal
Nas fontes encantadas de Portugal, as vilas de calçada aninham-se entre telhados de telha, amendoeiras que florescem brancas como a neve e colinas coroadas de estrelas. Aqui a magia é a água: cada fonte, nascente e velho poço de pedra guarda a sua própria maravilha silenciosa. Umas donzelas encantadas chamadas as Mouras mantêm as fontes doces, um galo luminoso só canta a verdade e um duendezinho travesso chamado Trasgo arruma e prega partidas quando ninguém está a ver. Aqui um herói não vence por ser o mais forte, mas por ser bondoso, por pedir as coisas à água com doçura e por nunca abandonar um amigo. Até um gigante enorme e de aspeto assustador das colinas quase sempre se revela mais só do que assustador.

Leiam em voz alta, devagar e com carinho. Parem muitas vezes para deixar as crianças responder. Aqui não há respostas erradas, só novas ideias para experimentar.
Leiam em voz alta, ou deixem uma criança mais velha ler sozinha. Façam pausas muitas vezes para que todos possam pensar, maravilhar-se e experimentar ideias. Aqui não há respostas erradas, só novos caminhos a seguir.
Antes de começar
Na velha cidade de Coimbra vivia a boa Rainha Isabel, que gostava de levar pão às pessoas que tinham fome. Fazia-o em silêncio, porque não queria agradecimentos.
Esta manhã a Rainha está adoentada e não pode sair. "Querem levar a bondade por mim?", pergunta ela com doçura. "Levem algum pão a quem precisa, e façam-no com discrição, como eu faria."
Vocês pegam no saco. "Levamos", dizem. A cidade está a acordar lá em baixo, ao pé do castelo.
Qual é o teu nome de herói? Que magias escolhes, uma ou duas: Floração, Verdade, Luz de Estrela, Canto do Rio ou Canto dos Pássaros?
Na velha cidade de Coimbra, à beira do rio, com as suas ruas de pedra a trepar e o castelo no alto da colina, vivia uma rainha que o povo amava: a boa Rainha Isabel. O seu maior gosto era levar pão a quem não tinha nenhum, e fazia-o às escondidas, saindo de madrugada com um cesto tapado, porque uma bondade feita por agradecimentos, dizia ela, é só meia bondade.
Na manhã em que esta história começa, a Rainha estava adoentada e não se conseguia levantar. Chamou-vos para junto dela e apertou as suas mãos quentes sobre as vossas. "Hoje não posso fazer a minha ronda", disse ela, "e há bocas com fome que ficarão sem nada. Querem levar a bondade no meu lugar? Levem pão a quem precisa, e façam-no com discrição, como eu faria, sem pedir nada em troca."
Vocês prometeram que sim, e desceram em direção à cidade que acordava, com os sinos do castelo a repicar com doçura atrás de vocês.
Qual é o teu nome de herói? Que magias vais levar, uma ou duas: Floração, Verdade, Luz de Estrela, Canto do Rio ou Canto dos Pássaros?
Para o adulto Preparação, regras e respostas. Abre quando quiseres (contém as soluções).
As Rosas da Rainha Isabel: Regras para o Adulto
O Guia para o Adulto explica como o jogo funciona (as bandas de dificuldade, as estrelas de energia, a ajuda, as reviravoltas, tudo). Esta página tem só o que é especial nesta aventura. Uma jogada falhada nunca é uma derrota; ninguém perde.
A preparação
- Imprime o mapa, ou desenha-o, ou monta-o com objetos da casa: um Início, quatro paragens e uma Meta num caminho a serpentear. Cada jogador põe uma figura pequena no Início.
- Cada jogador escolhe uma ou duas magias das cinco deste mundo: Floração, Verdade, Luz de Estrela, Canto do Rio ou Canto dos Pássaros. A Floração brilha nesta história, mas uma mistura resulta melhor.
- Dá a cada jogador cinco estrelas de energia (cinco fichas ou peças pequenas). Gastam-se e enchem-se de novo durante o jogo.
- Monta as coisas que vão aparecendo (o cesto tapado, os pães, as rosas) com bocadinhos da casa e peças à medida que avançam. Qualquer coisa pode ser qualquer coisa.
- Mantém os dados e a tabela das bandas de dados, lá das costas do kit, ao teu lado.
A surpresa
Uma vez em cada paragem os jogadores podem lançar para uma reviravolta; lê a linha correspondente. O Guia explica como funciona.
| Dado | Surpresa |
|---|---|
| 1 | Um padeiro passa-vos um pão quente e uma pista grátis. |
| 2 | Encontram uma moeda na calçada: recuperem uma estrela de energia. |
| 3 | Uma vizinha bondosa indica o caminho: o próximo desafio é Fácil. |
| 4 | Um aroma de rosas passa a flutuar. Está tudo bem; continuem. |
| 5 | A bênção da Rainha Isabel deixa-vos repetir uma jogada mais tarde, quando quiserem. |
| 6 | Um sino toca sobre o rio e todos se sentem corajosos por um turno. |
Como termina
Não há vilão nesta história. O guarda severo só está a cumprir o seu dever, e é conquistado pela honestidade, não derrotado. O clímax é o milagre meigo por que a lenda é famosa: o pão que as crianças levam transforma-se em rosas, protegendo uma bondade secreta sem que ninguém seja repreendido. Joga-o como uma recompensa pela honestidade e pela generosidade silenciosa, não como um truque para enganar alguém. A lição é que a bondade dada com discrição, sem pedir nada em troca, é a que floresce. Vê a página dos enigmas para saber como jogar cada paragem, e para as soluções.
Paragem 1: A Cozinha do Castelo

Vocês entram sorrateiramente na cozinha quente do castelo. Na mesa comprida estão pães dourados de rosca, mais do que o castelo alguma vez conseguiria comer. O cozinheiro dormita junto à lareira.
Querem levar só o suficiente para partilhar, em silêncio, sem acordar ninguém nem levar mais do que é justo.
Quantos pães levas, e como os levas para fora sem ruído? Como manténs a bondade em segredo? O que experimentas?
Quando o cesto está cheio e tapado com um pano, saem em bicos de pés para a manhã. Ninguém se mexe.
A cozinha do castelo estava quente e dourada, e a sua mesa comprida estava cheia de pão de rosca, rosca sobre rosca, muito mais do que o castelo conseguiria comer antes de ficar duro. Junto à lareira o velho cozinheiro dormitava, o queixo no peito, a ressonar baixinho.
A vossa tarefa era silenciosa: levar só o suficiente para partilhar, não mais do que era justo, e levá-lo sem acordar o cozinheiro nem chamar a atenção, para que o gesto ficasse tão humilde e secreto como a Rainha desejava.
Quanto levas, e como o levas para fora sem um som? Como manténs a bondade sem ser notada? Qual é o teu plano?
Quando o cesto levava só o suficiente, tapado com um pano limpo, saíram para o ar fresco da manhã sem sequer um ranger da porta. O cozinheiro continuou a dormir, sem dar por nada.
Para o adulto: a solução
O desafio. Levar só uma parte justa do pão de rosca e levá-lo para fora em silêncio, sem acordar o cozinheiro que dormita nem fazer do gesto uma exibição.
Soluções pretendidas. Um momento meigo de planeamento:
- Verdade para avaliar com honestidade quanto é justo levar, e não mais.
- Canto do Rio para calar uma porta que range ou um jarro que chapinha, para que ninguém se mexa.
- Um plano simples e cuidadoso: contar só os pães suficientes, forrar o cesto com o pano para não fazer som, andar em bicos de pés ao passar a lareira.
Alternativa. Se as crianças hesitarem, faz um gato da cozinha levá-las aos pães do dia anterior, destinados a partilhar, resolvendo a questão do "quanto é justo". Qualquer plano silencioso e justo resulta e enche uma estrela de energia.
Torna mais simples. Para uma criança mais nova, basta escolher dois pães e tapar o cesto com um pano; é tudo.
Paragem 2: As Ruas a Serpentear

Vocês levam o cesto tapado pelas ruas estreitas e a serpentear. Mas quem precisa mais do pão? Olham à volta com atenção. Uma porta sem fumo na chaminé. Um gato magro junto a um degrau. Um rostinho a uma janela fria.
Quem achas que precisa de ajuda esta manhã? Como é que sabes? Como vais dar o pão sem que ninguém se sinta envergonhado?
Quando deixam pão com discrição às portas certas, com uma palavra bondosa e sem alarido, as pessoas sorriem surpreendidas. As ruas já parecem mais quentes.
Vocês levaram o cesto tapado para o emaranhado de ruas estreitas, e aí veio a pergunta mais difícil: de todas estas portas, quem precisava mais do pão? A Rainha nunca dava ao acaso; dava onde fazia falta. Por isso olharam com atenção, como ela teria olhado. Uma chaminé sem fumo a subir. Uma soleira onde um gato magro esperava com esperança. Um rostinho pálido a uma janela sem pequeno-almoço por trás.
Quem achas que está em necessidade esta manhã, e como é que sabes? E como vais dar o pão de forma a que ninguém se sinta envergonhado por o aceitar?
Quando deixaram os vossos pães em silêncio às portas certas, com uma palavra suave e sem alarido nenhum, as pessoas que os encontraram ergueram os olhos numa alegria espantada, e não sabiam a quem agradecer. As ruas frias pareciam aquecer atrás de vocês à medida que avançavam.
Para o adulto: a solução
O desafio. Descobrir, por pequenos sinais, quem nas ruas precisa mais do pão, e dá-lo de forma a que ninguém se sinta envergonhado.
Solução. As pistas são os pormenores frios: uma chaminé sem fumo, um gato magro à espera, uma criança pálida a uma janela vazia. Os jogadores leem estes sinais de necessidade e deixam pão em silêncio a essas portas, com uma palavra bondosa e sem alarido. Isto é observação e empatia, não uma magia, embora a Luz de Estrela possa iluminar uma porta sombria, a Floração possa deixar uma florzinha como prenda meiga, que poupa o orgulho, ao lado do pão, e o Canto dos Pássaros possa mandar à frente um passarinho a encontrar a porta caladinha onde alguém espera com fome.
Alternativa. Se as crianças não souberem, faz uma vizinha murmurar qual a casa que ficou sem pão esta semana. Escolher com bondade, mesmo com uma pista, é um sucesso completo e enche uma estrela de energia.
Torna mais simples. Para uma criança mais nova, dispõe duas portas, uma quente e uma fria, e pergunta apenas qual precisa do pão.
Paragem 3: O Portão do Guarda

Ao portão do castelo está o guarda. É grande e severo, e para-vos. "O que está debaixo desse pano?", pergunta ele, de sobrolho franzido. "O Rei diz que o pão do castelo não pode ser dado."
Ele não é mesmo malvado. Só está a cumprir o seu dever. Mas quer ver dentro do vosso cesto.
O que dizes ao guarda? Dizes-lhe a verdade? Como podes mostrar-lhe que partilhar pão é uma coisa boa e bondosa?
Quando respondem com honestidade e carinho, o sobrolho do guarda começa a desanuviar. "Mostrem-me, então", diz ele, agora mais meigo. "Levantem o pano."
Mas para entrar e sair do castelo tinham de passar o portão, e ao portão estava o guarda: largo, severo e de olhar atento, com ordens a cumprir. Pôs-se no vosso caminho e ergueu uma mão. "Alto aí. O que é que levam debaixo desse pano?", exigiu. "O Rei disse com clareza que o pão do castelo não se dá ao portão, e tenciono ver o que andam a fazer."
Não era um vilão, apenas um homem a cumprir o seu dever como o entendia, e não vos ia deixar passar sem mais nem menos. Queria o cesto aberto.
O que dizes ao guarda? Vais contar-lhe a verdade da vossa missão? Como podes ajudá-lo a ver que levar pão a quem tem fome é uma coisa boa e meiga, digna da sua bênção e não da sua culpa?
Quando lhe responderam com honestidade, sem medo e sem mentira, e falaram da bondade da Rainha como a coisa boa que era, a rigidez da cara dele começou a ceder. "Muito bem", disse ele, agora mais meigo, quase curioso. "Levantem o pano, então, e deixem-me ver por mim mesmo."
Para o adulto: a solução
O desafio. O guarda severo bloqueia o portão e exige ver dentro do cesto tapado. Os jogadores têm de o conquistar com honestidade e bondade, não com uma mentira nem com uma luta.
Soluções pretendidas. Um momento social, de coração honesto:
- Verdade é o que melhor encaixa: responde-lhe com clareza sobre a missão e a bondade da Rainha, sem esconder nada.
- Uma palavra calorosa e corajosa: explica que o pão é para quem tem fome e pede-lhe a sua bênção em vez da sua culpa.
- A Floração ou um pão partilhado podem amolecer o humor dele e mostrar boa vontade.
Alternativa. Se as crianças bloquearem, faz o próprio estômago do guarda roncar, levando uma criança a oferecer-lhe um pão, o que o amolece de imediato. Qualquer resposta honesta e meiga fá-lo ceder e pedir para ver o cesto.
Torna mais simples. Para uma criança mais nova, basta dizer ao guarda "é pão para pessoas que têm fome" para o conquistar.
Paragem 4: O Pão Torna-se Rosas

Vocês respiram fundo e levantam o pano do cesto, prontos para contar toda a verdade. Mas lá dentro não há pão nenhum.
Os pães transformaram-se em rosas. O cesto está cheio de rosas frescas brancas e cor-de-rosa, a transbordar pela borda, mesmo não sendo a época delas.
Como é que isso te faz sentir? O que dizes? Pode a tua magia da Floração ajudar as rosas a brilhar ainda mais?
O guarda fica a olhar, e a sua cara severa abre-se num sorriso. Não há nada para ralhar, apenas flores. A bondade secreta da Rainha está a salvo, embrulhada num pequeno e doce milagre.
Vocês respiraram fundo para ganhar calma e levantaram o pano, prontos a mostrar-lhe tudo e a contar toda a verdade, acontecesse o que acontecesse. Mas debaixo do pano não havia pão nenhum.
Onde tinham estado os pães dourados, o cesto transbordava agora de rosas: brancas frescas e cor-de-rosa coradas, pesadas de orvalho e perfume, a cair pela borda, mesmo estando muito longe da época em que uma rosa devesse florir. A bondade tornara-se um pequeno e luminoso milagre nas vossas mãos.
Como é que isto te faz sentir, a segurar um cesto de rosas impossíveis? O que dizes agora ao guarda? Poderia a tua magia da Floração ajudar as rosas a abrir ainda mais cheias e brilhantes?
O guarda olhou, e voltou a olhar, e a severidade simplesmente caiu dele. Não havia ali nada a proibir, nada a ralhar, só flores fora de época e um segredo demasiado meigo para castigar. O gesto silencioso da Rainha estava a salvo, escondido dentro de uma maravilha, e o guarda, logo ele, deu por si a sorrir.
Para o adulto: a solução
O desafio. Levantar o pano e mostrar a verdade ao guarda, confiando que a bondade feita com honestidade acaba bem. Não há jogada para falhar; o milagre recompensa a honestidade das crianças.
Solução pretendida. Faz os jogadores levantarem o pano com coragem para revelar que o pão se tornou rosas. A Floração encaixa lindamente aqui, ajudando as rosas a abrir mais cheias, mas a maravilha acontece para qualquer criança que tenha escolhido a honestidade ao portão. Deixa-os apreciar o espanto do guarda.
Alternativa. Se uma criança ficar ansiosa por abrir o cesto, deixa o aroma das rosas escapar primeiro, sugerindo que algo lindo espera lá dentro, para que levantar o pano se sinta seguro. O sucesso é garantido.
Torna mais simples. Para uma criança mais nova, basta levantar o pano e descobrir as rosas todos juntos; é tudo.
Rosas Por Todo o Caminho de Volta

Enquanto regressam, começam a desabrochar rosas pelos muros e pelas portas, por toda a Coimbra. As pessoas saem para ver e para partilhar o que têm. O próprio guarda pega num cesto para ajudar a levar pão na manhã seguinte.
A Rainha Isabel ouve a algazarra feliz da sua janela e sorri. A bondade dada em silêncio encheu uma cidade inteira de flores.
Conseguiram juntos. Foram bondosos e estavam cheios de ideias. Muito bem.
À medida que voltavam por Coimbra, as rosas não queriam ficar no cesto. Começaram a desabrochar pelo cimo dos muros, à volta dos umbrais, nas fendas dos velhos degraus de pedra, até a cidade inteira as usar como uma grinalda, as rosas a trepar por cada muro e soleira. As pessoas saíam a maravilhar-se, e dando por si contentes, começavam a partilhar umas com as outras o que tinham.
O guarda pegou num cesto vazio e perguntou, quase com timidez, se podia ajudar a levar pão na madrugada seguinte. E lá no alto, no seu quarto, a boa Rainha Isabel ouviu o riso a subir das ruas, e sorriu para si mesma, pois sabia que uma bondade feita com discrição enchera uma cidade inteira de flores.
Conseguiram juntos. Foram honestos quando teria sido mais fácil esconder, e foram bondosos quando ninguém estava a ver, que é a bondade mais bondosa de todas. Muito bem.
Para o adulto: a solução
Esta é a resolução, não um enigma, por isso não há banda nem jogada. As rosas desabrocham por toda a Coimbra, os vizinhos partilham o que têm, e o guarda conquistado oferece-se para ajudar a levar pão na madrugada seguinte. Deixa as crianças sentirem a cidade inteira amolecer e o sorriso silencioso da Rainha Isabel. Venceram por serem honestas e generosas quando ninguém estava a ver, que é a única forma de alguém vencer nas Fontes Encantadas.
Aqui ninguém perde. Se uma tentativa não resulta, basta encontrar outro caminho.
Leiam em voz alta, parem muitas vezes e experimentem ideias. Não há respostas erradas.
