uma história de As Ilhas Esmeralda dos Celtas
Os Caminhos Enredados de Pook
Está quase na hora da feira de maio. Mas os caminhos sinuosos do Bosque de Carvalhos Sussurrantes ficaram todos enredados. Fitas suaves de névoa enrolam-nos...
Nível de leitura
A mesma história, com palavras mais simples ou mais ricas.
As Ilhas Esmeralda dos Celtas
As ilhas esmeralda dos celtas ondulam verdes e enevoadas entre um mar prateado e céus de um cinzento suave, salpicadas de casas redondas com telhado de colmo, antigos carvalhais e círculos de pedras que vibram baixinho. A névoa paira sobre lagos imóveis e, do outro lado, quase sem se ver, fica a Terra da Juventude, onde ninguém envelhece. As ilhas estão cheias de maravilhas meigas: um duende brincalhão que muda de forma, um velho e reluzente salmão, uma tímida selkie do lago e quatro crianças transformadas há muito tempo em cisnes que cantam. Aqui um herói não é o mais forte nem o que grita mais alto, mas quem está cheio de ideias, escuta com bondade e cumpre uma promessa. Os feitos maiores fazem-se com imaginação, coragem e um bom coração, e até um estranho de aspeto assustador, recebido com uma palavra amiga, muitas vezes está mais sozinho do que zangado.

Lê em voz alta, devagar e com carinho. Para muitas vezes para deixar as crianças responderem. Aqui não há respostas erradas, só ideias novas e corajosas para tentar.
Lê em voz alta, ou deixa uma criança mais velha ler sozinha. Faz uma pausa a cada pergunta para que os heróis possam decidir em conjunto. Aqui não há respostas erradas, só ideias mais corajosas para tentar.
Antes de começar
Está quase na hora da feira de maio. Mas os caminhos sinuosos do Bosque de Carvalhos Sussurrantes ficaram todos enredados. Fitas suaves de névoa enrolam-nos por cima e à volta, e agora a gente da aldeia não consegue encontrar o caminho para a feira.
Quem fez isto? Pook, o Puca, um duende brincalhão que muda de forma. Não quis fazer nenhum mal. Só queria um jogo.
A Velha Maeve, a Tecedora de Histórias, chama-vos à Casa Redonda. "Vocês os dois têm a cabeça cheia de ideias e o coração bondoso", diz ela. "Querem ir desenredar os caminhos e ganhar o Pook com uma palavra amiga?"
Ela dá-vos três presentes: um novelo de lã vermelha, um bolo de aveia e mel, e um raminho de carvalho para dar sorte. Depois sorri. "Aqui não vencemos por sermos os mais fortes. Vencemos por sermos corajosos, bondosos e cheios de ideias."
Qual é o nome do teu herói? És um herói de Imaginação, de Coragem ou de Bondade?
Faltava apenas um dia para a feira de maio, e a aldeia inteira andava a cozer, a tecer e a afinar as suas violas para ela. Mas naquela manhã um lavrador preocupado chegou a correr à Casa Redonda: os caminhos sinuosos do Bosque de Carvalhos Sussurrantes tinham ficado todos enredados, enrolados por cima e à volta com fitas suaves de névoa, e nem uma alma conseguia encontrar o caminho até à feira.
Toda a gente percebeu logo quem tinha sido. Pook, o Puca, um duende brincalhão que muda de forma com a mesma facilidade com que tu mudas de ideias, andara nas suas brincadeiras. Não quis fazer mal nenhum. Para o Pook, um caminho enredado é simplesmente o melhor tipo de adivinha, e tinha-se esquecido por completo de que a gente da aldeia se importaria.
A Velha Maeve, a Tecedora de Histórias, chamou-vos aos dois para junto da lareira quente. "Têm a cabeça cheia de ideias e o coração bondoso", disse ela, "e isso vale mais no bosque do que o braço mais forte. Querem ir desenredar os caminhos e ganhar o nosso Pook com uma palavra amiga, para que seja ele próprio a pô-los direitos?"
Nas vossas mãos colocou três presentes: um novelo de lã vermelha viva, um bolo de aveia e mel ainda quente da lareira, e um pequeno raminho de folhas de carvalho para dar sorte. "Lembrem-se", disse ela, "aqui não vencemos por sermos os mais fortes. Vencemos por sermos corajosos, bondosos e cheios de ideias."
Qual é o nome do teu herói? Que qualidade vais levar: Imaginação, Coragem ou Bondade?
Para o adulto Preparação, regras e respostas. Abre quando quiseres (contém as soluções).
Os Caminhos Enredados de Pook: Regras para o Adulto
O Guia para o Adulto explica como funciona o jogo todo; lê-o primeiro se isto é novo para ti. Esta página tem só o que é especial nesta história. Uma jogada falhada nunca é uma derrota; ninguém perde. Esta é uma história meiga: o único "inimigo" é um duende solitário que só quer um amigo, e ninguém fica magoado de verdade.
Preparação
- Imprime o mapa. Cada jogador põe uma figurinha na Partida, a Casa Redonda.
- Este mundo não tem magia. Em vez disso, cada herói apoia-se numa ou duas das cinco qualidades: Imaginação (inventar ideias), Coragem (um coração firme), Bondade (cuidar dos outros), Curiosidade (reparar no que os outros não veem) ou Paciência (esperar e tentar de novo). Na ficha do herói, onde diz magia, deixa cada criança escrever a qualidade de que mais gosta. Duas qualidades diferentes funcionam melhor juntas.
- Dá a cada jogador cinco estrelas de energia (cinco pequenas fichas ou peças). São gastas e repostas durante o jogo.
- Prepara três objetos, se puderes: um novelo de fio para a lã vermelha, um bolinho ou ficha para o bolo de aveia e mel, e uma folha ou raminho para o raminho de carvalho. Qualquer coisa pode ser qualquer coisa.
- Mantém os teus dados e a tabela de bandas de dados do fim do kit ao teu lado.
A Reviravolta do Destino
Uma vez em cada lugar, os jogadores podem lançar para uma reviravolta; lê a linha correspondente. O Guia explica como funciona.
| Lançamento | Reviravolta do Destino |
|---|---|
| 1 | Pook, o Puca, aparece e dá-vos uma dica grátis. |
| 2 | Voltam a encontrar a vossa coragem e recuperam uma estrela de energia. |
| 3 | Uma brisa suave por entre os carvalhos, e o próximo desafio é Fácil. |
| 4 | O Salmão da Sabedoria sopra uma bolha da sorte. Está tudo bem. |
| 5 | Um raminho de carvalho para dar sorte: guarda uma jogada para usar mais tarde. |
| 6 | Um rebentar de canto de pássaros, e por um momento todos se sentem corajosos. |
Como termina
Pook, o Puca, é o "inimigo", mas não é nenhum vilão. É um duende brincalhão que fez um jogo dos caminhos e depois ficou triste pelo problema que causou. A história ganha-se não por o derrotar, mas por fazer dele amigo: partilhar o bolo de aveia e mel, sentar-se ao lado dele, dizer-lhe que há um lugar para ele na feira. Deixa a bondade acontecer; é esse o objetivo todo. Feito amigo, Pook desenreda de bom grado todos os caminhos sozinho. Vê a página das adivinhas para os três desafios e as suas soluções.
Paragem 1: O Bosque Enredado

Entram no bosque. Os caminhos enrolam-se, torcem-se e voltam para trás. Caminham e caminham, e de alguma maneira voltam sempre ao mesmo velho carvalho.
Seria fácil perderem-se aqui para sempre.
O que podiam fazer? Têm um novelo de lã vermelha. Podiam atar uma ponta no início e segui-la à medida que avançam? Assim podem sempre encontrar o caminho de volta.
Quando atam a lã vermelha no início e a desenrolam atrás de vocês, nunca perdem o caminho. O bosque não consegue enredar um herói que tem um fio. Em breve encontram o caminho que vos leva mais para dentro.
Entraram por baixo dos grandes carvalhos e, logo ali, o bosque começou a fazer a sua partida. Os caminhos enrolavam-se, torciam-se e voltavam para trás, e cada curva cheia de folhas era igualzinha à anterior. Caminharam e caminharam com grande cuidado e, de alguma maneira, regressavam sempre ao mesmo velho carvalho retorcido de onde tinham partido.
Um viajante sem plano podia vaguear por estes caminhos até a lua nascer e ainda assim não estar mais perto da feira.
Como vão evitar perder-se? Levam um novelo de lã vermelha. O que podem fazer com ele? Podiam atar uma ponta no início e deixá-la a arrastar atrás de vocês?
Então ataram a lã vermelha bem apertada num ramo baixo à entrada e deixaram-na desenrolar-se com cuidado atrás de vocês à medida que avançavam. Agora cada passo era um passo que podiam desfazer, e o bosque que se enrola não conseguia apanhar um herói que levava um fio. Em pouco tempo encontraram o único caminho que levava em frente, mais para dentro do bosque sussurrante.
Para o adulto: a solução
O desafio. Os caminhos sinuosos do Bosque de Carvalhos Sussurrantes enrolam-se e voltam para trás, e os jogadores chegam sempre ao mesmo velho carvalho. Têm de encontrar uma forma de passar sem se perderem completamente.
Solução pretendida. Este é um momento de Imaginação e Espacial. A boa e bondosa jogada é usar o novelo de lã vermelha: atar uma ponta à entrada e desenrolá-la à medida que avançam, para poderem sempre refazer os passos e nunca andar duas vezes na mesma volta errada. Marcar cada curva, ou seguir o fio de volta para tentar um caminho novo, funciona igualmente bem.
Ajuda. Se as crianças estiverem inseguras, deixa a lã vermelha puxar suavemente para o caminho verdadeiro, ou faz um pisco simpático saltar à frente de ramo em ramo. Passar com uma ajudinha conta na mesma como sucesso completo e repõe uma estrela de energia.
Para tornar mais simples. Para os mais pequeninos, estende um pedaço de fio ou lã pelo chão e deixa-os caminhar ao lado dele até à sala seguinte, a enrolá-lo à medida que avançam.
Paragem 2: As Três Portas de Pook

O caminho abre-se numa clareira. Ali, Pook fez crescer três portas de musgo a partir de ramos de carvalho, lado a lado. Só uma porta leva em frente. As outras fazem-vos voltar logo para trás.
Pook aparece, uma pequena forma peluda de olhos brilhantes, e dá-vos três pistas brincalhonas:
"A porta da esquerda adora o sol da manhã, mas manda-te de volta à casa de partida. A porta do meio é velha e de musgo, e guarda uma mentira para cada conto que contou. A porta da direita é pequena, quieta e verdadeira, e é essa a porta que te leva à saída."
Qual é a porta verdadeira? Podiam ler as pistas dele outra vez, devagar? Podiam pedir-lhe uma dica?
Quando escolhem a porta da direita, ela abre-se com um estalido feliz. Pook ri-se às gargalhadas e dá uma cambalhota para dentro das folhas. Passam por ela.
As árvores afastaram-se e o caminho abriu-se numa clareira verde e calma. Ali, tecidas de ramos de carvalho vivos e penduradas com musgo macio, erguiam-se três altas portas em arco, lado a lado. Só uma delas levava em frente. As outras duas, tinham a certeza, fariam-vos voltar logo pelo caminho por onde tinham vindo.
Com um restolhar de folhas, o próprio Pook apareceu: uma pequena forma peluda de olhos brilhantes e traquinas e um sorriso que não conseguia ficar quieto. Não havia nada de que gostasse mais do que uma boa pista, e deu-vos três delas, cantaroladas e brincalhonas:
"A porta da esquerda adora o sol da manhã, mas manda-te de volta à casa de partida. A porta do meio é velha e de musgo, e guarda uma mentira para cada conto que contou. A porta da direita é pequena, quieta e verdadeira, e é essa a porta que te leva à saída."
Qual é a porta verdadeira? Vão ler as pistas dele outra vez, devagar, e descobri-las em conjunto? O Pook parece disposto a dar uma dica se lhe pedirem com jeito. O que tentam?
Quando escolheste a porta da direita, ela abriu-se de par em par com um estalido feliz, e uma brisa quente com cheiro a bosque entrou por ela. Pook riu-se e deu uma cambalhota por cima de um feto, encantado por terem jogado o jogo dele tão bem. Passaram para o coração fundo do bosque.
Para o adulto: a solução
O desafio. Pook fez crescer três portas em arco de musgo a partir de ramos de carvalho. Só uma leva em frente; as outras duas fazem os jogadores voltar para trás. Têm de ler as pistas brincalhonas dele e escolher a porta verdadeira.
As pistas. Lê-as em voz alta: "A porta da esquerda adora o sol da manhã, mas manda-te de volta à casa de partida. A porta do meio é velha e de musgo, e guarda uma mentira para cada conto que contou. A porta da direita é pequena, quieta e verdadeira, e é essa a porta que te leva à saída." A porta da direita é o caminho a seguir: a pista da esquerda diz claramente que te manda de volta, a pista do meio admite que conta mentiras, e a pista da direita é a única que se diz a si mesma verdadeira.
Solução pretendida. Este é um momento de Lógica e Observação. Deixa as crianças falar sobre as pistas em conjunto e ouvir qual a porta que diz ser verdadeira enquanto as outras se denunciam. Um palpite pensado também é bem-vindo.
Ajuda. Se ficarem encravadas, lê as pistas outra vez devagar, uma porta de cada vez, ou deixa o Pook inclinar-se e sussurrar: "Ouçam qual a porta que diz a verdade." Uma porta escolhida com coragem abre-se na mesma com um estalido para o caminho certo.
Para tornar mais simples. Para os mais pequeninos, aponta para cada porta e lê só a sua pista, depois pergunta: "Essa porta disse que era a bondosa e verdadeira?" A porta certa é a que diz que sim.
Paragem 3: Conquistar o Pook

Mais para dentro do bosque encontram o Pook outra vez, sentado num cogumelo. Já não está a rir. Abraça os joelhos e olha para os pés.
Ele transformou todo o bosque num jogo, e agora sente-se um bocadinho triste. Não pensou que a gente da aldeia fosse ficar tão chateada.
Isto não é uma luta. Que coisa bondosa podiam fazer? Têm um bolo de aveia e mel para partilhar. Podiam sentar-se ao lado dele. Podiam dizer-lhe que a feira também tem lugar para ele. O que tentam?
Quando são bondosos com ele e partilham o bolo de aveia e mel, os olhos do Pook ficam quentes e brilhantes. "Não estão zangados comigo?", sussurra. "Então vou pôr tudo direitinho."
Mais para dentro do bosque, onde a luz caía suave e verde, encontraram o Pook outra vez. Mas agora não estava a rir. Estava encolhido num cogumelo, com os joelhos puxados até ao queixo, a parecer muito pequenino, a olhar para os próprios dedos dos pés.
Tinha transformado todo o bosque num jogo glorioso e só agora, no silêncio, lhe ocorrera que a gente da aldeia estava triste e que a feira talvez não acontecesse. Sentia-se um bocadinho triste, e não sabia bem como dizê-lo.
Isto nunca foi uma luta. Que bondade podiam mostrar-lhe? Têm um bolo de aveia e mel para partilhar. Podiam sentar-se ao lado dele no cogumelo. Podiam dizer-lhe que também há lugar para ele na feira. O que fazem?
Quando se sentaram ao lado dele e partiram o bolo de aveia e mel em dois e o partilharam, os olhos brilhantes do Pook ficaram suaves e quentes. "Não estão zangados comigo?", sussurrou, mal podia acreditar. "Então vou pôr tudo direitinho, cada último enredo, prometo."
Para o adulto: a solução
O desafio. Os jogadores encontram Pook, o Puca, encolhido num cogumelo, já sem rir. Parece pequeno e triste. As crianças podem perguntar-se como pôr as coisas direitas.
Solução pretendida. Este é um momento de Bondade e Coragem. Pook está simplesmente um pouco envergonhado e sem saber como pedir desculpa. Qualquer bondade verdadeira funciona: partilhar o bolo de aveia e mel, sentar-se ao lado dele, dizer-lhe que há lugar para ele na feira de maio, dizer que toda a gente faz uma trapalhada às vezes. Quando as crianças são bondosas, Pook anima-se e promete pôr todos os caminhos direitos sozinho.
Ajuda. Se as crianças congelarem, ou quiserem ralhar com ele, faz o Pook fungar e perguntar, muito baixinho: "Também estão zangados comigo?" Uma única palavra amiga derrete-o. No momento em que os jogadores oferecem qualquer gesto amigável, ele salta e desfaz todo o enredo.
Para tornar mais simples. Para os mais pequeninos, pede-lhes que deem ao Pook uma coisa bondosa: um aceno, uma bolacha de faz-de-conta, ou só as palavras "Sê meu amigo." Qualquer pequena bondade o anima.
Os Caminhos Ficam Certos

Pook salta e bate as patas peludas. Por todo o bosque, as fitas de névoa desenrolam-se e flutuam para longe. Os caminhos sinuosos ficam direitos e certos outra vez.
E desta vez Pook não desaparece. Vai a saltar ao vosso lado, a abrir caminho, orgulhoso de finalmente ajudar. Lá em baixo, na aldeia, a gente festeja quando os caminhos se abrem, e a feira de maio começa com música e dança.
Lá no alto, sobre as ilhas verdes, Danu, a Bondosa, olha para baixo e sorri. Vocês conseguiram, juntos. Foram corajosos, foram bondosos e estavam cheios de ideias. Muito bem, heróis.
Pook pôs-se de pé nas patas peludas e bateu palmas três vezes. Por todo o Bosque de Carvalhos Sussurrantes, as fitas de névoa soltaram-se e desenrolaram-se e flutuaram para longe na brisa, e os caminhos sinuosos ficaram direitos e certos, todos eles, tal como deviam estar.
E desta vez Pook não desapareceu para dentro das folhas. Foi a saltar ao vosso lado, a abrir caminho para fora, mais orgulhoso de ajudar do que alguma vez estivera de qualquer partida. Lá em baixo, na aldeia, a gente festejou quando os caminhos se abriram à sua frente, e a feira de maio começou num rodopio de fitas, música de viola e dança no relvado.
Lá no alto, sobre as ilhas esmeralda, Danu, a Bondosa, olhou para baixo pela névoa que se abria e sorriu. Tinham conseguido, e tinham conseguido juntos: com a vossa coragem, com a vossa bondade e com todas as vossas ideias brilhantes. Muito bem, heróis das Ilhas Esmeralda.
Aqui ninguém perde. Se uma tentativa não resulta, basta encontrar outro caminho.
Leiam em voz alta, parem muitas vezes e experimentem ideias. Não há respostas erradas.
