uma história de Os Fiordes Nevados do Norte

A Noite do Longo Inverno

Esta noite é a mais longa do ano inteiro. No Salão do Lar, o grande fogo que aquece o vale todo apagou-se. A casa comprida está fria. As janelas deixaram de...

Idades 9 to 12 2 to 5 Jogadores 40 min logic · spatial · observation · social emotional
Conduzido por um adulto

Nível de leitura

A mesma história, com palavras mais simples ou mais ricas.

Os Fiordes Nevados do Norte

Os fiordes nevados do norte descem fundos e azuis entre montanhas brancas e pinheiros de um verde escuro, salpicados de acolhedoras casas compridas cujas janelas brilham de um quente cor de âmbar sobre a neve. Por cima deles arqueia-se a Grande Árvore do Mundo, e nas noites limpas o céu dança com as cores da aurora. Os fiordes estão cheios de maravilhas gentis: um esquilo tagarela que leva mensagens ao longo da árvore, dois corvos pensativos, espíritos de luz que dançam no escuro e gigantes de gelo que parecem assustadores mas, na maior parte das vezes, só têm frio e se sentem sozinhos. Aqui um herói não é o mais forte nem o que grita mais alto, mas aquele que guarda um coração quente, imagina ideias e partilha o fogo. Os maiores feitos fazem-se com coragem, gentileza e muitas ideias, e até um gigante, recebido com uma palavra amiga, muitas vezes mostra-se mais sozinho do que feroz.

Dois heróis mais velhos com capas de pele que saem de uma casa comprida iluminada para uma noite de inverno, levando uma brasa acesa, com um fiorde gelado e uma ponte do arco-íris à frente.

Leiam em voz alta, devagar e com carinho. Parem muitas vezes para deixar as crianças responder. Aqui não há respostas erradas, só ideias novas e corajosas para tentar.

Leiam em voz alta, ou deixem uma criança mais velha ler sozinha. Façam uma pausa em cada pergunta para os heróis decidirem juntos. Aqui não há respostas erradas, só ideias mais corajosas para tentar.

Antes de começar

A Noite do Longo Inverno

Esta noite é a mais longa do ano inteiro. No Salão do Lar, o grande fogo que aquece o vale todo apagou-se. A casa comprida está fria. As janelas deixaram de brilhar cor de âmbar. Lá fora, a neve é funda e o escuro parece muito longo.

Edda a Guardiã das Sagas chama-vos para junto dela. "Vocês os dois têm ideias brilhantes e corações quentes", diz ela. "Querem trazer o calor de volta antes da madrugada?"

Ela dá-vos três presentes: a Brasa Sempre Quente, um novelo de lã vermelha e um pãozinho de mel quente. Depois sorri. "Aqui em cima não vencemos por sermos os mais fortes. Vencemos por sermos corajosos, bondosos e cheios de ideias."

Qual é o teu nome de herói? És um herói de Imaginação, de Coragem ou de Coração?

Era a noite mais longa do ano, o fundo coração do inverno, quando o escuro se estende tão longe que começamos a pensar se o sol terá esquecido o caminho de casa. E nesta noite, de todas as noites, o grande fogo do lar do Salão do Lar tinha-se apagado. A casa comprida ficara fria. As janelas cor de âmbar que sempre brilhavam sobre a neve estavam escuras, e uma a uma, por todo o vale, o calor escapava-se.

Edda a Guardiã das Sagas chamou-vos os dois para junto dela, os seus olhos velhos brilhantes na penumbra. "Vocês têm ideias brilhantes e corações quentes", disse ela, "e numa noite destas isso vale mais do que qualquer machado. Querem trazer-nos o calor de volta antes da madrugada?"

Nas vossas mãos pôs três presentes: a Brasa Sempre Quente, um carvão que nunca arrefece; um novelo de lã vermelha viva; e um pãozinho de mel macio, ainda quente das brasas. "Lembrem-se", disse ela, "nestes fiordes não vencemos por sermos os mais fortes. Vencemos por sermos corajosos, bondosos e cheios de ideias. Atravessem a Ponte do Arco-Íris até aos altos salões e acendam outra vez o calor do mundo."

Qual é o teu nome de herói? Que qualidade vais levar: Imaginação, Coragem ou Coração?

Para o adulto Preparação, regras e respostas. Abre quando quiseres (contém as soluções).

A Noite do Longo Inverno: Regras para o Adulto

Novo nisto? Leiam primeiro o Guia para o Adulto. Explica a ideia toda em duas páginas e nunca mais vão precisar dele.

O Guia para o Adulto explica como o jogo funciona. Esta página tem só o que é especial nesta história. Uma jogada falhada nunca é uma derrota; ninguém perde. Esta é uma história mais corajosa do que algumas, passada numa noite de inverno fria e cheia de sombras, mas as boas ideias e a bondade vencem na mesma sempre, e ninguém fica verdadeiramente magoado.

Preparar

  • Imprimam o mapa. Cada jogador põe uma figurinha no Início, o Salão do Lar.
  • Este mundo não tem magia. Em vez disso cada herói apoia-se numa ou duas das cinco qualidades: Imaginação (imaginar ideias), Coragem (um coração firme no escuro), Coração (cuidar dos outros), Paciência (esperar e tentar de novo) ou Bondade (uma mão calorosa e amiga). Na ficha do herói, onde diz magia, deixem cada criança escrever a qualidade de que mais gosta. Duas qualidades diferentes funcionam melhor juntas.
  • Deem a cada jogador cinco estrelas de energia (cinco fichas ou peças pequenas). São gastas e repostas durante o jogo.
  • Ponham de parte três adereços, se puderem: uma ficha luminosa ou peça vermelha para a Brasa Sempre Quente, um novelo de cordel ou de lã vermelha para a lã vermelha e um bolinho ou ficha para o pãozinho de mel. Qualquer coisa pode ser qualquer coisa.
  • Mantenham os dados e a tabela das bandas de dados, do fim do kit, ao vosso lado.

A Volta do Destino

Uma vez em cada lugar os jogadores podem lançar para uma volta; leiam a linha que corresponde. O Guia explica como funciona.

Jogada Volta do Destino
1 O Nori o Tomte aparece com o seu barrete vermelho e dá-vos uma dica de graça.
2 Sentem uma explosão de calor no peito, e recuperam uma estrela de energia.
3 Um vento a favor vindo do fiorde, e o próximo desafio é Fácil.
4 Os Dois Corvos, Pensamento e Memória, passam a voar e acenam com gentileza. Está tudo bem.
5 Um nó com sorte na lã vermelha: guardem uma jogada para usar mais tarde.
6 A Brasa Sempre Quente brilha com força, e por um momento todos se sentem corajosos.

Como termina

O Gigante de Gelo Solitário no caminho é o "inimigo", mas não é nenhum vilão. É um gigante de gelo pálido que esteve simplesmente com frio e sozinho tempo demais, e não há nele luta para vencer. A história vence-se não por o derrotar, mas por fazer dele amigo: um pãozinho de mel partilhado, uma pergunta bondosa, um lugar junto à brasa. Depois ele vem junto e atravessa a Ponte do Arco-Íris com os heróis, e juntos reacendem o calor do mundo no alto salão quando a madrugada nasce. Deixem a bondade pousar; é o sentido de tudo. Vejam a página dos enigmas para os três desafios e as suas soluções.

Paragem 1: O Fiorde Gelado

Dois heróis que atravessam juntos uma ampla placa de gelo azul prateado do fiorde, pisando com cuidado, com montanhas nevadas à volta e o brilho quente da brasa.

Saem para a neve e chegam ao Fiorde Gelado. É uma larga placa de gelo entre as montanhas, lisa e prateada. Quando se põem em cima dela, o gelo geme e estala debaixo dos vossos pés.

Lá no alto, os Dois Corvos dão voltas e observam-vos com olhos brilhantes e amigos.

Como vão atravessar em segurança? Podiam espalhar-se e pisar com leveza, para não estarem todos num monte pesado? Podiam ir de mãos dadas e atravessar juntos? Vocês têm um novelo de lã vermelha para estender como guia.

Quando atravessam devagar e com cuidado, o gelo aguenta firme e deixa-vos passar. Chegam à outra margem com as faces frias e os corações quentes.

Saíram para debaixo de um céu cheio de estrelas frias, e diante de vocês ficava o Fiorde Gelado: um longo e fundo braço de água tornado liso e prateado entre as montanhas escuras. Parecia firme que chegasse, mas no momento em que puseram o pé nele, o gelo deu um gemido longo e baixo, e algures por baixo de vocês algo estalou e assentou. Atravessar a correr todos juntos, num molho pesado, seria pedir-lhe demais.

Lá no alto, os Dois Corvos, Pensamento e Memória, giravam contra as estrelas e observavam-vos com olhos pacientes e gentis.

Como vão atravessar sem o gelo ceder? Podiam espalhar-se para o peso ser repartido, e pisar com leveza, a tratar o gelo com cuidado? Podiam ir de mãos dadas e juntos, ou estender a lã vermelha como guia através do escuro? Qual é o vosso plano?

Ao espalharem-se e a pisar com leveza, com a lã vermelha a desenrolar-se viva atrás de vocês, atravessaram o fiorde com toda a delicadeza que conseguiram, e o gelo aguentou- vos o caminho inteiro. Chegaram à outra margem com geada nas pestanas e os corações a bater depressa e cheios de orgulho.

Para o adulto: a solução

O desafio. Os heróis têm de atravessar o Fiorde Gelado, uma larga placa de gelo que geme e estala debaixo dos pés. O perigo não é um monstro mas o próprio gelo, que não aguenta uma multidão pesada e apressada de uma só vez.

Solução prevista. Este é um momento de Espaço e Lógica. O gesto cuidadoso e bondoso é espalharem-se para o peso ser repartido, pisar com leveza para tratarem o gelo com cuidado e atravessar juntos de mãos dadas para ninguém ficar para trás. Estender a lã vermelha como linha-guia, ou testar o caminho com atenção, resulta igualmente bem.

Ajuda. Se as crianças hesitarem, façam os Dois Corvos girar lá no alto e "grasnar" para os heróis formarem uma fila cuidadosa e espalhada, ou deixem-nas gastar uma estrela de energia para firmar os pés. Atravessar devagar e com leveza resulta sempre, e repõe uma estrela de energia.

Tornar mais simples. Andem em bicos de pés pela sala todos juntos, como pinguins calados e cuidadosos no gelo escorregadio.

Paragem 2: O Gigante de Gelo Solitário

Dois heróis que oferecem um pãozinho de mel quente com sorrisos gentis a um enorme gigante de gelo azul pálido, sentado tímido e triste mais do que feroz.

Passado o fiorde, um enorme gigante de gelo azul pálido está sentado mesmo no vosso caminho. É mais alto do que a casa comprida, e a cara dele parece feroz. Cruza os grandes braços frios.

Mas ouçam. Ele treme. Será que está, se calhar, um bocadinho sozinho? Nunca ninguém para para falar com ele.

Isto não é uma luta. Que coisa bondosa podiam fazer? Vocês têm um pãozinho de mel quente para partilhar. Podiam perguntar o nome dele. Podiam oferecer-lhe um lugar junto à brasa. O que tentam?

Quando são bondosos com ele, a cara gelada do gigante derrete-se num sorriso. "Obrigado por serem meus amigos", diz ele baixinho. E vem convosco, gentil como a neve.

E ali, passado o fiorde, estava sentado um gigante: enorme, talhado em gelo azul pálido, mais alto do que o próprio Salão do Lar, a tapar o caminho de braços cruzados e com uma cara dura como um glaciar. O vosso coração saltou. Por um momento ele pareceu o fim de toda a aventura.

Depois tremeu, e os seus grandes ombros gelados descaíram, e perceberam. Não estava zangado. Estava sozinho. Nenhum viajante alguma vez parara para falar com ele, e os longos anos frios em solidão tinham-no tornado rabugento e triste.

Isto nunca foi uma luta, e ninguém aqui levanta a mão. Que bondade lhe poderiam mostrar? Vocês têm um pãozinho de mel quente para partilhar. Podiam perguntar-lhe o nome, ou oferecer-lhe um lugar junto à Brasa Sempre Quente, ou simplesmente dizer-lhe que não tem de estar sozinho esta noite. O que fazem?

Quando lhe ofereceram a vossa bondade, a cara dura do gigante estalou, não de raiva mas de espanto, e aqueceu devagar até um sorriso. "Ficaram", sussurrou, como se mal conseguisse acreditar. "São meus amigos." E ergueu-se, gentil como neve a cair, e veio ao vosso lado pelo escuro.

Para o adulto: a solução

O desafio. Um enorme gigante de gelo azul pálido está sentado no caminho de braços cruzados. Parece feroz, e os jogadores podem achar que isto é uma luta. Não é.

Solução prevista. Este é um momento de Coração e Coragem. O gigante está simplesmente com frio e sozinho; nunca ninguém para para falar com ele. Qualquer bondade verdadeira resulta: partilhar o pãozinho de mel quente, perguntar o nome dele, oferecer-lhe um lugar junto à Brasa Sempre Quente, dizer-lhe que não tem de estar sozinho. Quando as crianças são bondosas, a cara gelada dele aquece num sorriso, torna-se amigo delas e vem com elas. Não há jogada para o vencer, porque não há como o vencer; só há fazer dele amigo.

Ajuda. Se as crianças congelarem, ou quiserem "vencer" pela força, façam o gigante tremer e perguntar, muito baixinho: "Também estão com frio e sozinhos?" Uma única palavra quente derrete-o. A bondade é o desafio inteiro, e não pode ser falhada.

Tornar mais simples. Deem ao gigante solitário um grande abraço quentinho e digam "podes ser nosso amigo".

Paragem 3: A Ponte do Arco-Íris

Dois heróis e um gigante de gelo já amigo que atravessam uma ponte cintilante das cores do arco-íris para um céu estrelado, com os heróis a levarem uma brasa acesa.

Ao pé da montanha cintila a Ponte do Arco-Íris, feita de cores suaves, a subir até aos altos salões. Só se mantém firme para quem a atravessa com um coração bondoso e sincero.

Atravessam com bom coração? Vocês levam a Brasa Sempre Quente, e agora têm um novo amigo ao vosso lado. Saiam juntos, com cuidado e com verdade.

A ponte brilha forte debaixo dos vossos pés e aguenta-vos até lá acima. No alto salão estendem a Brasa Sempre Quente, e o calor do mundo acende-se outra vez.

Ao pé das montanhas cintilava a Ponte do Arco-Íris, um grande arco de cores suaves a subir da neve em direção aos altos salões dos deuses. Era linda e um pouco assustadora, pois dizia-se que só se mantinha firme para quem a atravessasse com um coração bondoso e sincero, e que vacilava e esmorecia sob qualquer outro.

Vão atravessar? Vocês levam a Brasa Sempre Quente, quente e verdadeira, e ao vosso lado caminha um amigo que estava sozinho há uma hora e já não está. Saiam juntos, com verdade e com cuidado, e confiem que a ponte conheça os vossos corações.

Quando saíram, a ponte iluminou-se debaixo dos vossos pés, a cor a florir a cada passo, e levou-vos a todos, gigante e tudo, em segurança até ao alto salão. Ali ergueram a Brasa Sempre Quente bem no alto, e o seu brilho saltou para fora, e o calor do mundo acendeu-se mais uma vez.

Para o adulto: a solução

O desafio. A cintilante Ponte do Arco-Íris sobe até aos altos salões, e só se mantém firme para quem a atravessa com um coração bondoso e sincero. Os heróis têm de a atravessar, a levar a brasa, e chegar ao alto salão para reacender o calor do mundo.

Solução prevista. Este é um momento de Coração e Imaginação. Como os heróis levam a Brasa Sempre Quente e agora viajam com o Gigante de Gelo Solitário como amigo, os seus corações são exatamente o que a ponte procura. Ao atravessarem com verdade e com cuidado, a manter o novo amigo ao seu lado, a ponte ilumina-se e aguenta. No topo, erguem a brasa e o calor do mundo acende-se outra vez.

Ajuda. Se hesitarem à beira, façam a ponte brilhar um pouco mais quente a cada palavra bondosa que dizem, para que um único e sincero "viemos trazer o calor de volta" ilumine o caminho. A ponte aguenta sempre para estes heróis; os seus corações já a mereceram.

Tornar mais simples. Caminhem sobre uma fila de almofadas coloridas ou um cachecol estendido no chão, de mãos dadas e a dizer uma cor a cada passo.

Madrugada e Calor

A primeira luz quente da madrugada sobre uma aldeia nevada do fiorde, com as janelas da casa comprida de novo cor de âmbar enquanto os lares se reacendem, e dois heróis e um gigante de gelo sorridente que chegam a casa.

Lá em baixo, um a um, os fogos do lar reacendem-se pelo vale inteiro. Cada janela brilha de novo cor de âmbar. A noite longa e escura torna-se suave e dourada, e a primeira luz da madrugada desliza sobre as montanhas brancas.

Lá no céu, os Espíritos da Aurora dançam em azul-turquesa, verde e roxo. O Gigante de Gelo Solitário tem amigos por fim, e está a sorrir. E Freya a Bondosa olha para baixo e sorri também. Conseguiram juntos. Estiveram cheios de ideias, foram corajosos e, acima de tudo, foram bondosos. Muito bem, heróis.

Lá em baixo, a mudança começou. Um lar, depois outro, depois uma centena, os fogos reacenderam-se por todo o vale nevado, até cada janela cor de âmbar brilhar de novo e o frio largar a noite longa. Devagar, com suavidade, o primeiro ouro pálido da madrugada subiu sobre as montanhas brancas, e a noite mais longa do ano terminou não em escuridão mas em luz.

Lá no alto, os Espíritos da Aurora acordaram e dançaram de alegria, fitas de azul- turquesa, verde e roxo a ondular pelo céu que clareava. O Gigante de Gelo Solitário estava entre vocês, quente por fim e a sorrir, com amigos que esperara a vida longa inteira por encontrar. E dos altos salões, Freya a Bondosa olhou para baixo e sorriu. Tinham conseguido, e tinham conseguido juntos: com as vossas ideias, com a vossa coragem e, acima de tudo, com o vosso coração. Muito bem, heróis dos Fiordes Nevados do Norte.

Aqui ninguém perde. Se uma tentativa não resulta, basta encontrar outro caminho.

Leiam em voz alta, parem muitas vezes e experimentem ideias. Não há respostas erradas.

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